"A televisão, a ética e a receita", em resposta a António Tadeia
"Aqui d'el Rei", acordaram, e disparam de todas as posições numa única
direcção. Tardia mas previsivelmente, para quem acreditava no sucesso da
Benfica TV, começou-se agora, de todos os quadrantes, a levantar-se
questões sobre os moldes actuais da BTV. Bastou, para isso, como parecem
mandar as regras da indecência no futebol português, que o paladino da
moral e dos bons costumes espirrasse. Já se sabe, o homem espirra e a
urbe constipa-se, é assim o futebol português há 25 anos.
Referiu então Pinto da Costa - condenado por corrupção passiva e protagonista principal no youtube quando se pesquisa por "apito dourado" - como que dando o sinal de partida: "Acho interessante que um clube esteja a fazer negócios com outros clubes para transmitir jogos desses clubes. Será interessante ver o relacionamento e o conflito de interesses que daí advém. Se a Liga e os intelectuais analistas dos jornais ainda não levantaram qualquer problema é porque, se calhar, está correcto que amanhã o canal de um clube transmita até os jogos todos do campeonato. Se calhar está mesmo bem."
Não o fez em qualquer lado. Fê-lo em entrevista ao jornal "O Jogo", propriedade da Controlinveste, a empresa que apresenta a Sporttv no seu vasto portefólio de media e direitos desportivos, entre outras áreas, como a das viagens, onde se faz representar pela agência Cosmos, a que se enganou quando passou uma factura de uma viagem de férias do cidadão Carlos Calheiros, um árbitro de futebol.
António Tadeia, qual "intelectual analista dos jornais", apressou-se a responder ao repto lançado por Pinto da Costa - o amigo do sempre disponível António Tavares-Teles - em crónica publicada no Diário de Notícias, outra publicação da Controlinveste, a tal que, através de uma das suas participadas, detinha, até há poucos meses, o monopólio das transmissões televisivas de futebol em Portugal e, segundo se diz e nunca se desmentiu, deixou incluir, no contrato com o Porto, uma cláusula de indexação ao, pelos vistos, mais que certo próximo contrato com o Benfica.
Escreveu então Tadeia, como que a preparar terreno para o que viria a seguir, que "os benfiquistas aplaudiram, antes de perceberem que, a partir de agora, tinham de pagar mais para ver jogar a sua equipa de coração (em casa na Benfica TV, fora na Sport TV)". É interessante constatar a presunção de estupidez que Tadeia demonstra sentir em relação aos benfiquistas. Além de que, em nenhum momento, levanta a questão que seria normal levantar, mesmo sendo incómoda para o seu empregador: "Será que a Sporttv estaria a aproveitar-se da sua posição monopolista para cobrar um preço excessivo aos seus clientes?". É que ainda não li, especialmente em qualquer das publicações da Controlinveste, qualquer comentário à "coincidência" temporal do lançamento da Sporttv live e da passagem a canal Premium da Benfica TV...
Mas Tadeia passa rapidamente, e com paninhos quentes, ao que realmente lhe interessa: A urticária. Esta alergia de Tadeia, cronista do DN, surge em reacção ao que o próprio referiu na crónica: "Os observadores aplaudiram o que presumiam ser um final de um regime próximo do monopólio". Acrescenta que tal se deve a "várias razões: éticas e comerciais". E explica-as.
Nas comerciais aponta a recomendação de centralização de exploração dos direitos televisivos enquanto suposto factor de competitividade entre os clubes participantes no campeonato nacional. Este é um ponto de vista válido, mas com o qual discordo. Por um lado, as assimetrias competitivas a nível europeu seriam mais acentuadas, o que levaria a que Benfica e Porto sentissem ainda mais dificuldades nas competições europeias. Por outro, o mercado nacional, quando comparado com os apontados na crónica, o inglês e o alemão, além de ser incipiente, é também desequilibrado, em que existe um clube muito forte nas audiências, o Benfica, dois fortes, o Porto e o Sporting, e um ou outro "assim-assim", como o Vitória de Guimarães e, eventualmente, no caso de uma temporada bem sucedida, a Académica ou o Belenenses. Finalmente, porque a suposta competitividade nos campeonatos inglês e alemão é uma falácia. Em Inglaterra, a liga é dominada pelo Manchester United e só a intromissão de clubes que beneficiam do investimento absurdo e pontual de magnatas do petróleo e afins, faz equilibrar a competição. Na Alemanha, as diferenças competitivas entre Bayern e Dortmund para com os restantes clubes são notórias.
Faço notar, no entanto, o timing da análise de Tadeia, precisamente quando a Benfica TV se lançou no mercado. Poderia tê-lo feito quando as SADs do Porto e Sporting anunciaram a renovação com a Olivesdesportos por um período alargado de tempo mas, aparentemente, a urticária, como ele lhe chama, terá sido atenuada, ou mesmo abafada, pela coincidência do principal accionista da Olivesdesportos - recordo, o outrora monopolista - ser o mesmo do Diário de Notícias. Se foi este o caso, desconheço, mas fica a pergunta que julgo ser legítima e pertinente.
Finalmente, as razões éticas. Tadeia mostra-se preocupado, questiona e responde: "Com que garantia temos de que a selecção e edição das imagens venham a ser feitas com a imparcialidade necessária para que sirvam de prova, por exemplo, em inquéritos disciplinares como o que castigou Insúa na época passada? Como é evidente: nenhuma!".
Acho, no mínimo, curioso que este tenha sido precisamente um dos pontos que mais levou a que os benfiquistas suspirassem pelo fim do monopólio da Sporttv. E acho ainda mais curioso que Hélder Conduto, director de informação da Benfica TV, tenha sido o companheiro de comentários de Tadeia na RTP.
Como tal, gostaria de conhecer a opinião de Hélder Conduto sobre este atestado de desrespeito pelo código deontológico dos jornalistas que Tadeia lhe passou.
Gostaria também de perguntar a Tadeia se tem algum exemplo concreto na Sporttv que o leve a pensar que tal possa vir a ocorrer na Benfica TV.
E gostaria finalmente de perguntar, também a Tadeia - ex-director-adjunto do jornal "O Jogo" - que garantia temos, enquanto leitores, que a sua crónica, em que questiona a Benfica TV, publicada no Diário de Notícias, uma publicação da Controlinveste, a empresa que controla a outrora monopolista Sporttv, agora deparando-se com a concorrência da Benfica TV, tenha sido escrita com a imparcialidade necessária...
Poderia acrescentar "como é evidente: nenhuma", mas esperarei pelos próximos espirros de Pinto da Costa.
Referiu então Pinto da Costa - condenado por corrupção passiva e protagonista principal no youtube quando se pesquisa por "apito dourado" - como que dando o sinal de partida: "Acho interessante que um clube esteja a fazer negócios com outros clubes para transmitir jogos desses clubes. Será interessante ver o relacionamento e o conflito de interesses que daí advém. Se a Liga e os intelectuais analistas dos jornais ainda não levantaram qualquer problema é porque, se calhar, está correcto que amanhã o canal de um clube transmita até os jogos todos do campeonato. Se calhar está mesmo bem."
Não o fez em qualquer lado. Fê-lo em entrevista ao jornal "O Jogo", propriedade da Controlinveste, a empresa que apresenta a Sporttv no seu vasto portefólio de media e direitos desportivos, entre outras áreas, como a das viagens, onde se faz representar pela agência Cosmos, a que se enganou quando passou uma factura de uma viagem de férias do cidadão Carlos Calheiros, um árbitro de futebol.
António Tadeia, qual "intelectual analista dos jornais", apressou-se a responder ao repto lançado por Pinto da Costa - o amigo do sempre disponível António Tavares-Teles - em crónica publicada no Diário de Notícias, outra publicação da Controlinveste, a tal que, através de uma das suas participadas, detinha, até há poucos meses, o monopólio das transmissões televisivas de futebol em Portugal e, segundo se diz e nunca se desmentiu, deixou incluir, no contrato com o Porto, uma cláusula de indexação ao, pelos vistos, mais que certo próximo contrato com o Benfica.
Escreveu então Tadeia, como que a preparar terreno para o que viria a seguir, que "os benfiquistas aplaudiram, antes de perceberem que, a partir de agora, tinham de pagar mais para ver jogar a sua equipa de coração (em casa na Benfica TV, fora na Sport TV)". É interessante constatar a presunção de estupidez que Tadeia demonstra sentir em relação aos benfiquistas. Além de que, em nenhum momento, levanta a questão que seria normal levantar, mesmo sendo incómoda para o seu empregador: "Será que a Sporttv estaria a aproveitar-se da sua posição monopolista para cobrar um preço excessivo aos seus clientes?". É que ainda não li, especialmente em qualquer das publicações da Controlinveste, qualquer comentário à "coincidência" temporal do lançamento da Sporttv live e da passagem a canal Premium da Benfica TV...
Mas Tadeia passa rapidamente, e com paninhos quentes, ao que realmente lhe interessa: A urticária. Esta alergia de Tadeia, cronista do DN, surge em reacção ao que o próprio referiu na crónica: "Os observadores aplaudiram o que presumiam ser um final de um regime próximo do monopólio". Acrescenta que tal se deve a "várias razões: éticas e comerciais". E explica-as.
Nas comerciais aponta a recomendação de centralização de exploração dos direitos televisivos enquanto suposto factor de competitividade entre os clubes participantes no campeonato nacional. Este é um ponto de vista válido, mas com o qual discordo. Por um lado, as assimetrias competitivas a nível europeu seriam mais acentuadas, o que levaria a que Benfica e Porto sentissem ainda mais dificuldades nas competições europeias. Por outro, o mercado nacional, quando comparado com os apontados na crónica, o inglês e o alemão, além de ser incipiente, é também desequilibrado, em que existe um clube muito forte nas audiências, o Benfica, dois fortes, o Porto e o Sporting, e um ou outro "assim-assim", como o Vitória de Guimarães e, eventualmente, no caso de uma temporada bem sucedida, a Académica ou o Belenenses. Finalmente, porque a suposta competitividade nos campeonatos inglês e alemão é uma falácia. Em Inglaterra, a liga é dominada pelo Manchester United e só a intromissão de clubes que beneficiam do investimento absurdo e pontual de magnatas do petróleo e afins, faz equilibrar a competição. Na Alemanha, as diferenças competitivas entre Bayern e Dortmund para com os restantes clubes são notórias.
Faço notar, no entanto, o timing da análise de Tadeia, precisamente quando a Benfica TV se lançou no mercado. Poderia tê-lo feito quando as SADs do Porto e Sporting anunciaram a renovação com a Olivesdesportos por um período alargado de tempo mas, aparentemente, a urticária, como ele lhe chama, terá sido atenuada, ou mesmo abafada, pela coincidência do principal accionista da Olivesdesportos - recordo, o outrora monopolista - ser o mesmo do Diário de Notícias. Se foi este o caso, desconheço, mas fica a pergunta que julgo ser legítima e pertinente.
Finalmente, as razões éticas. Tadeia mostra-se preocupado, questiona e responde: "Com que garantia temos de que a selecção e edição das imagens venham a ser feitas com a imparcialidade necessária para que sirvam de prova, por exemplo, em inquéritos disciplinares como o que castigou Insúa na época passada? Como é evidente: nenhuma!".
Acho, no mínimo, curioso que este tenha sido precisamente um dos pontos que mais levou a que os benfiquistas suspirassem pelo fim do monopólio da Sporttv. E acho ainda mais curioso que Hélder Conduto, director de informação da Benfica TV, tenha sido o companheiro de comentários de Tadeia na RTP.
Como tal, gostaria de conhecer a opinião de Hélder Conduto sobre este atestado de desrespeito pelo código deontológico dos jornalistas que Tadeia lhe passou.
Gostaria também de perguntar a Tadeia se tem algum exemplo concreto na Sporttv que o leve a pensar que tal possa vir a ocorrer na Benfica TV.
E gostaria finalmente de perguntar, também a Tadeia - ex-director-adjunto do jornal "O Jogo" - que garantia temos, enquanto leitores, que a sua crónica, em que questiona a Benfica TV, publicada no Diário de Notícias, uma publicação da Controlinveste, a empresa que controla a outrora monopolista Sporttv, agora deparando-se com a concorrência da Benfica TV, tenha sido escrita com a imparcialidade necessária...
Poderia acrescentar "como é evidente: nenhuma", mas esperarei pelos próximos espirros de Pinto da Costa.
(retirado do Blog Benfiquistas desde Pequeninos)


