Época 2015/16

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Perderam o respeito, o que é bom sinal

Dia após dia vou lendo e ouvindo coisas nunca antes ditas por sportinguistas, e até por jornalistas.
Quem se atrevia até há pouco tempo a dizer coisas em desabono dos azuis da cidade do Porto? Ninguém, a não ser os benfiquistas!
Nestes últimos dias tem sido um fartote. E não vai ficar por aqui.
«Sobre o último dérbi, nada de especial há a dizer. O Sporting não jogou um caracol e, entre a festa da espuma de domingo e o jogo de terça, perdeu-se o efeito surpresa de Jardim. Mas nem ele o salvaria. A vitória do Benfica foi limpinha. E não me refiro à ausência de lã de rocha no relvado e de bocados da cobertura nas bancadas. Mas nestes últimos meses ficou clara para mim uma coisa: pelo menos no campo, o campeonato será decidido no confronto entre o Benfica e o Sporting. Quanto ao Porto, que nos tem presenteado com exibições abaixo de deprimentes, lá terá, se ainda souber, de voltar a tentar ganhar no campeonato da secretaria.

E, regresso ao tema, as coisas vão bem encaminhadas numa competição menor: a Taça da Liga. Herculano Lima é juiz jubilado e conhecido amigo do Futebol Clube do Porto. Em pleno processo de investigações do Apito Dourado disse, em declarações públicas, que a montanha iria parir um rato. O experiente obstetra deste mundo pouco salubre da bola viu o seu desejo confirmado. Herculano também é presidente do Conselho de Disciplina da FPF e dissipou todas dívidas logo na primeira audição sobre o caso do atraso do Porto no jogo com o Marítimo. Segundo o Record, o que o juiz queria saber de Fernando, o jogador que só se lembra das dores uma semana depois de as sentir, era se o Porto também teria vencido o jogo caso tivesse entrado em campo na hora marcada. Como a resposta é impossível de dar e a pergunta era para um jogador do FCP, fica a parecer que o objetivo destas inquirições é o convívio. Onde também participou o vogal Ricardo Pereira, que, seguramente imparcial nestas guerras, foi advogado de Lourenço Pinto contra Carolina Salgado.

Não há, portanto, qualquer ansiedade para o Sporting. Ao contrário do dérbi, o resultado é mais do que certo e parece-me que não será “limpinho”. E, no entanto, não há qualquer dúvida que o Porto quis atrasar o jogo para daí obter vantagem. E que os regulamentos punem esse comportamento com derrota. Ficam a saber os árbitros: quando marcarem uma grande penalidade ao Porto, por causa de uma rasteira na grande área, terão de perguntar ao faltoso se aquela jogada mudaria o desfecho do jogo. Porque é assim que se faz justiça no futebol nacional.» (Daniel Oliveira, um sportinguista, in Record)

Porque será que agressões a jornalistas é sinónimo de FCP?

No final do jogo entre o Belenenses e o Futebol Clube do Porto, João Fonseca, jornalista da Rádio Renascença, terá sido agredido por Rui Cerqueira (na foto), diretor de comunicação do FCP. Vários camaradas seus foram testemunhas desta agressão, entre os quais um jornalista da TSF. Os repórteres procuravam ter reações de Helton e Rui Cerqueira, que é ex-jornalista, decidiu intervir. O próprio garante que terá sido empurrado e agarrado depois de dar ordens para não haver declarações. Uma horda de jornalistas a bater num diretor de comunicação para conseguir declarações de jogadores. Já ouvi histórias mais credíveis, mas no futebol tudo é possível.

A acusação de agressão a jornalistas, seja por seguranças, seja por adeptos, seja por dirigentes, é um clássico em jogos em que o Porto esteja envolvido. Nunca se ouviu da boca de Pinto da Costa uma palavra de condenação. Achou sempre mais interessante fazer piadas. Quando uma vez foi confrontado com o tema, respondeu: “Vou montar um hospital lá nas Antas, porque com tantos feridos isso é capaz de ser um bom negócio”. Muitos risos. Não é grave. O Estado de Direito, já se sabe, fica à porta dos estádios.

Mas apesar de o “guarda Abel” ser um símbolo à memória da arbitrariedade e da impunidade no futebol, seria injusto ficar-me pela relação obviamente difícil que o Porto mantém com a liberdade de imprensa. Esse mal é bem mais abrangente. Não se mede apenas por situações mais radicais, como insultos e agressões. Vê-se nos blackouts, nas interdições seletivas de entrada de jornalistas em estádios e em intimidações várias. Por eles são responsáveis os dirigentes dos clubes e uma justiça permissiva. Mas também uma classe de jornalistas incapaz de mostrar laços de solidariedade, demasiado temerosa da popularidade dos dirigentes desportivos e, em alguns casos, promíscua na sua relação com os clubes. Não é preciso imaginar o escândalo que seria se um qualquer jornalista fosse agredido por um dirigente partidário. O movimento de solidariedade entre jornalistas que tal provocaria... Pois está na altura de os jornalistas desportivos se verem como merecedores do mesmo respeito. Boicotando coletivamente, se preciso for, qualquer clube que ponha em causa a sua segurança. (Daniel Oliveira, in Record)

Sportinguistas começam a acordar!

O Sporting caminha a passos largos para o abismo. Julgo que ninguém tem dúvidas!
As evidências são mais que muitas, sejam no plano desportivo, seja no financeiro.
No desportivo, depois de se terem endividado fortemente para reforçarem o plantel, ele até agora não correspondeu.
No financeiro, sabe-se que anteciparam já receitas televisivas até 2018, salvo erro, fora outros que têm sido divulgados na imprensa.
Enquanto iam ficando à frente do Benfica e participando na Liga dos Campeões, a coisa ia-se compondo, mas agora a coisa está a ficar preta. Ainda ontem, na Assembleia-Geral do clube houve pancadaria e a aprovação das contas fez-se com uma percentagem baixa de votos a favor.
Como dizia em título, os sportinguistas começam a acordar.
Luís Duque apoia uma candidatura de Fernando Seara a presidente da FPF.
Daniel Oliveira, conhecido sportinguista que escreve uma crónica semanal no Record e que ainda na semana passada atacava fortemente André Villas-Boas e o sistema, hoje revela-se muito crítico com José Eduardo Bettencourt, como podem ler em "O fraco rei".

Sportinguista atrevido!

Eu pensava que apenas os benfiquistas eram capazes de dizer isto!

Percebe-se a indignação de André Villas-Boas. Não é justo começar a treinar o Porto e haver um qualquer momento na grande área adversária que possa levantar alguma dúvida e a esse momento não corresponder uma grande penalidade. Quando é convidado para dirigir uma equipa um treinador faz contas. Mede os prós e os contras. E ninguém pode negar que a entrega de tantos árbitros à causa portista é uma vantagem a não negligenciar. É, por assim dizer, um direito adquirido.
Claro que, como foi assinalado por várias pessoas, houve um penálti por marcar em favor do Guimarães. Mas que Diabo, isso já faz parte das regras do futebol português. Penalidade contra o Porto só em casos extremos. Está na lei. O que realmente valoriza um árbitro é a marcação de penalidades inexistentes contra as equipas que têm de passar pelas mãos do Porto. Isso sim, é que é ter brio profissional. Isso sim, distingue os melhores.
Percebe-se a revolta de Villas-Boas: não foi para aquilo que ele assinou um contrato no Dragão. Querem lá ver que agora o Porto tem de começar a época só com 11 jogadores em campo? E a tradição, onde fica? Será que se acabou a fruta? Será que Pinto da Costa já não serve de GPS para árbitros que inadvertidamente passam perto de sua casa? Podem, se faz favor, voltar à normalidade? Villas-Boas é jovem, mas merece tanto respeito como qualquer antigo treinador do Porto. Senhor Pinto da Costa, pode voltar a fazer o que melhor sabe? Ou, se está a perder qualidades, pelo menos avisar o seu treinador que quando se vai destacado no campeonato o árbitro está dispensado das suas tarefas. Um homem, quando chega onde Villas-Boas chegou, tem expectativas que não podem ser defraudadas. E ainda por cima é multado. E tem de pedir desculpas. Está tudo doido?

Para um adepto do clube "submisso", está muito bom!

Lagarto, mas não alinhado

Ainda bem que em tudo na vida há excepções!
Temos visto, com pena confesso, que o Sporting na sua ânsia de ficar à frente do Benfica, acaba por prestar vassalagem ao FC Porto, em vez de se aliar para matar o sistema. Quando falo em Sporting, falo nos seus dirigentes e na maioria dos seus adeptos.
Mas, como dizia acima, há sempre excepções e esta é uma delas. Não sei se foi um caso pontual, se não foi, tiro o meu chapéu a Daniel Oliveira.
...
O que o Benfica e os outros clubes deviam discutir, em conjunto, era os ridículos valores que todos cobram pelas transmissões. 
O que o Benfica e os outros clubes deviam instituir era regras de civilidade e respeito pelo trabalho da imprensa, sem blackouts nem chantagens. Até porque precisam dela para promover a atividade a que se dedicam. 
O que o Benfica e os outros clubes deviam fazer era sentarem-se à mesa e descobrir como encher de novo os estádios. Os seus e os dos outros. Como conseguir que o campeonato seja mais competitivo e os jogos mais entusiasmantes. 
O que o Benfica e os outros clubes deviam mudar era a arcaica e corrupta estrutura dirigente do futebol nacional. Sem ameaças. Sem gritos. Com atos, propostas e profissionalismo.
Chega de desculpas. Querem verdade desportiva? Façam o que têm a fazer em vez de, à vez, conforme o prejudicado do momento (que, é verdade, raramente é o Porto), desatarem num pranto. Olhem para a Liga espanhola. Vivia mergulhada em escândalos. Um dia perceberam que todos perdiam. Puseram ordem na casa e têm um dos melhores campeonatos do Mundo. Todos ficaram a ganhar.
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