Não sei qual a inclinação clubística de Marco Silva, técnico do Estoril, mas gostei da entrevista que transcrevo abaixo.
Foi ao empatar em casa com o Estoril que o Benfica deu início a um final de época de pesadelo. Em entrevista ao Maisfutebol,
Marco Silva fala dessa visita à Luz, da situação
de Jorge Jesus e das mudanças rápidas na vida de um treinador.
Valdano
falou recentemente numa obsessão pela tática, em
detrimento da técnica, e que isso valoriza o treinador em vez do
jogador.
Concorda?
Tem a ver com a formação,
talvez. Antigamente não havia tantas escolinhas, jogávamos mais na rua,
era
tudo paixão pela bola e técnica individual.
Agora os miúdos começam a falar de tática com 7 ou 8 anos. É bom para
começar
a perceber as regras, os fundamentos do jogo,
mas se calhar é cedo de mais. Falta jogar mais à bola. Mais do que no
futebol
profissional, é na formação que estamos a perder
o brilho que víamos nos olhos dos miúdos. Pensa-se mais na tática, em
ganhar.
Está a tirar um pouco a magia ao jogador
português.
E os treinadores amam mais o resultado do que o jogo,
como diz também Valdano?
Todo o
treinador quer ganhar. Se conciliar o jogar bem e ganhar, fico
satisfeitíssimo.
Sabemos que o resultado tem uma importância
muito grande, pois infelizmente o treinador que ganha é competente quem
não ganha
não é. Por isso olha-se mais para o resultado.
Daqui a uns anos ninguém se vai lembrar que o Benfica fez uma grande
final
europeia. Vão lembrar-se apenas que o Chelsea
venceu.
É mais um exemplo de que a vida de um treinador muda
rapidamente?
Já tivemos outros
exemplos, mas é um grande exemplo. Jesus esteve numa final europeia,
esteve quase
até ao final da época em primeiro, foi à final
da Taça e às meias-finais da Taça da Liga. Foi excelente. Podia ter sido
uma
época de sonho. O Benfica não teve aquela ponta
de sorte que, se calhar, tanto trabalhou para ter. Sofreu dois golos
decisivos
nos descontos. O sucesso e o insucesso estão
quase ligados. Neste momento não analisamos a época do Benfica de uma
forma geral.
Analisamos o que não conseguiu ganhar, quando
tudo apontava no sentido de ganhar duas ou três provas. Foi uma equipa
avassaladora
em determinados momentos, e isso deve estar na
memória de toda a gente.
O empate na luz abrilhantou ainda
mais a época do Estoril?
Não acho,
sinceramente. Abrilhanta o excelente jogo que fizemos. Tirando o FC
Porto e
o Sp. Braga, ninguém conseguiu exibições daquele
nível na Luz. O Benfica terminou o jogo como líder, e ainda com dois
pontos
de vantagem. Retiramo-nos da questão do título,
mas foi bom para nós pela demonstração de qualidade que deixámos.
No
final do jogo deixou uma mensagem relativamente à
ideia de que o Benfica, depois de ter derrotado o Sporting e o
Marítimo,
já era campeão. A quem se dirigia? Ao próprio
Benfica? À comunicação social?
À equipa do Benfica não. Se
alguém
nos respeitou, foi o treinador do Benfica. Disse
sempre que o jogo era decisivo, que tinha muito respeito pelo Estoril. O
próprio presidente do Benfica deu uma entrevista
e disse que o jogo mais importante da história do Benfica era o
próximo,
com o Estoril. Referia-me, de uma forma geral, a
tudo o que foi dito. Chegámos a ouvir que, de uma forma ou de outra,
nunca
iríamos pontuar na Luz. Chegámos a ouvir que
ninguém no país acreditava que o Benfica perdesse pontos com o Estoril, e
de
pessoas ligadas ao futebol. Foi mais por aí. As
pessoas do Benfica foram as que mais respeitaram o Estoril.
Isso
também serviu de motivação?
Não
gostamos de ouvir essas coisas, mas não foi por aí. Disse na altura que
os jogadores
do Estoril não precisavam de motivações
exteriores, não precisavam que alguém os beliscasse. Também tínhamos o
objetivo de
pontuar. Se não tivéssemos pontuado na Luz se
calhar não tínhamos conseguido um feito histórico.
Será que este comentador acredita mesmo que o Benfica estava a negociar o Carlos Eduardo?
É a típica notícia lançada pelo empresário ou por algum junta-letras a mando de alguém azul para depois fazer de conta que levaram a melhor sobre o Benfica.
Para que quereríamos um médio ofensivo que só foi titular indiscutível no último terço do campeonato, quando acabamos de contratar um craque, titular da selecção sérvia (Djuricic) e ainda o irmão do Matic que joga na mesma posição, tem excelente técnica e é bastante mais alto. Além de que o nosso Miguel Rosa não fica atrás em nada deste Carlos Eduardo, assim queira Jorge Jesus apostar nele.