Os Intocáveis. É o título de um conhecido filme norte-americano mas que também pode servir para definir os 11 homens da confiança de Jorge Jesus, que vão formar a equipa tipo dos encarnados esta temporada. O técnico dos campeões nacionais é conhecido por gostar de ter um plantel onde abundem soluções, mas mantém, durante a temporada, uma equipa-base, que só muda quando existe alguma lesão ou dependendo das circunstancias dos encontros.
No ano passado, o onze tipo esteve definido quase desde o início, excetuando o lugar de defesa-esquerdo, que só foi ocupado definitivamente por Coentrão, a meio da temporada. Esta época as coisas não ficaram definidas logo na madrugada da preparação e, nos quatro jogos oficiais já disputados, o técnico nunca repetiu um onze, existindo várias explicações para este fenómeno.
Desde logo, a realização do Mundial, que motivou que vários jogadores só apanhassem o comboio da preparação a meio. Depois é ainda importante salientar que saíram dois jogadores de inegável qualidade (Di María e Ramires) e indiscutíveis. Jesus demorou a encontrar os substitutos ideais. Por último as muitas lesões que afetaram a equipa limitaram as escolhas do técnico e obrigaram a algumas improvisações.
Agora tudo parece estar mais claro e o técnico definiu um onze base para atacar as várias competições, até porque já tem Salvio para a direita. Depois dos problemas, Roberto assume-se como o dono da baliza enquanto o quarteto defensivo é o mesmo que terminou a época passada: Maxi, Luisão, David Luiz e Coentrão.
No miolo, Javi e Aimar têm dois novos companheiros nas alas: Salvio e Gaitán assumem-se como as soluções mais óbvias para tentar municiar a dupla goleadora composta por Cardozo e Saviola. O encontro com o V. Guimarães marcará, por isso, o início da era dos novos intocáveis.
Alguém discorda desta análise feita um dia destes no Record?
Comparando esta equipa com a da época passada, verificam-se apenas 3 alterações. Roberto no lugar de Quim, Salvio no de Ramires e Gaitán no de Di Maria.
Na baliza até agora saímos a perder, mas pode ser que as coisas se invertam a partir de agora. Se Roberto conseguir confirmar os indícios do último jogo e com a continuação dos jogos, tenho esperança que acabemos por ficar melhor servidos, mas por enquanto nada é garantido.
Na direita, Salvio não é de perto nem de longe parecido com Ramires. Ficamos a ganhar no jogo ofensivo, mas claramente a perder no defensivo. Terão de ser procurados equilíbrios no meio-campo para que a equipa não seja apanhada em contrapé.
Na esquerda, para já estamos a perder porque Di Maria conseguiu fazer uma época espectacular, mas Gaitán já deu mostras, ainda no último jogo que também é capaz de fazer assistências e que é mais jogador de equipa.
Conclusão final, estamos a perder na comparação das equipas da época passada e desta, mas espero que com o decorrer dos jogos a situação se altere. Mas confesso que tenho medo dos jogos em que os adversários jogam em contra-ataque com jogadores velozes pela falta dum jogador com as características de Ramires.


