Época 2015/16

Época 2015/16
Mostrar mensagens com a etiqueta Rui Dias. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Rui Dias. Mostrar todas as mensagens

Para os anti-Jesus pensarem


1 - A qualidade no futebol leva implícito o resultado – ninguém é bom se perder sistematicamente. Mas ganhar pode não ser tudo quando os clubes se atrasam em relação às metas que se propõem alcançar. Nas últimos duas décadas o Benfica viveu enredado numa teia gigantesca, desenhada por desvios ideológicos ao rumo de toda a vida; à perda de influência nas altas instâncias e à falta de coerência técnica, traduzida no modo como foi transformando cada época numa etapa avulsa, descontextualizada de qualquer estratégia – e só não se desagregou por completo porque, apesar de tudo, manteve o apoio popular que reitera o estatuto de maior clube português.

2 - Os adeptos têm reações instantâneas, muitas vezes despojadas de reflexão; as emoções à flor da pele não lhes permitem analisar a realidade com lucidez, pelo que são apenas o reflexo de um estímulo negativo que conduz à revolta. Contra ventos e marés, Luís Filipe Vieira resistiu aos protestos exteriores e manteve Jorge Jesus no cargo – incrível como, depois de perder campeonato e Liga Europa, só a derrota na final da Taça de Portugal conduziu o povo ao desvario. LFV preferiu não responder com o mesmo sentido de imediato, ganhou tempo e agiu de acordo com as convicções: sofreu com as derrotas, refletiu sobre as suas consequências e decidiu de acordo com o seu balanço dos últimos quatro anos.

3 - Em 2009, quando entrou na Luz, JJ assumiu a herança de um clube que perdeu o hábito de vencer e deixou de olhar para o futuro com a coerência necessária; encontrou uma equipa desamparada, sem elos de ligação ao passado e confundida pela urgência de voltar às vitórias, apesar dos erros de diagnóstico, gestão e organização. O mérito foi respeitar o legado histórico da comunidade e formar equipas deslumbrantes, com pendor ofensivo e estética apurada; recuperar um estilo, consolidá-lo e construir exército temível que mereceu respeito e admiração das plateias. Em pleno ciclo hegemónico do FC Porto, JJ criou riqueza e diminuiu a desvantagem para a força dominante.

4 - O exercício mais honesto para medir a importância de JJ é a comparação. Se tivermos como referência os anos 60 e 70, símbolos de uma potência que vencia três em cada quatro campeonatos, ou mesmo o período entre o início dos 80 e meados da década seguinte (seis títulos em doze), ganhar uma em quatro ligas não chega – é um desastre. Mas se considerarmos o período entre 1994 e 2013, em que o Benfica foi campeão apenas por duas vezes, a conversa muda de figura. O voto de confiança em JJ pressupõe a convicção do regresso às vitórias sustentado num projeto sólido e não como resultado de aposta no euromilhões; tem como objetivo razoável beliscar a hegemonia portista e não depender de milagres como o de Trapattoni, cujo título caiu do céu aos trambolhões. 

Excelente texto de Rui Dias!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

ARQUIVO DO BLOG

Prémio Relíquia da Internet

Prémio Relíquia da Internet

Presente do grande CORAÇÃO ENCARNADO

Presente do grande CORAÇÃO ENCARNADO

Adaptado por Blogger Benfiquista

Blog do Manuel © 2008. Template by Dicas Blogger.

TOPO