Época 2015/16

Época 2015/16
Mostrar mensagens com a etiqueta Venda de jogadores. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Venda de jogadores. Mostrar todas as mensagens

Todos sabem, mas poucos falam

Seja como diz o FC Porto (vai receber 40M€ por 85% dos direitos económicos), seja como diz o Zenit (paga 40M€ pela totalidade da operação), há uma conclusão que se pode tirar neste negócio entre os campeões nacionais de Portugal e da Rússia: a elevadíssima cláusula de rescisão do contrato de Hulk, de 100M€, absolutamente desenquadrada da realidade que caracteriza actualmente o mercado futebolístico à escala global, uma forma de proteger, em tese, os interesses do FC Porto, não serviu para quase nada. Serviu apenas para criar a ilusão, durante algumas épocas, que o FC Porto iria conseguir fazer, na senda do que aconteceu nas últimas temporadas com um lote considerável de ’activos’, ‘o negócio dos negócios’. Isso, como é óbvio e se tornou cada vez mais previsível à medida que o tempo foi passando, não aconteceu.
Fala-se agora da natureza e da qualidade do respectivo negócio e, como sempre, há opiniões para tudo. Há quem veja o assunto valorizando o que Hulk custou, o que Hulk proporcionou em termos de rentabilidade desportiva e a mais valia conseguida nesta venda. Há quem veja o assunto apenas pelo lado do valor da cláusula de rescisão. É preciso olhar, contudo, para todas as variáveis e, com elas, perceber que o FC Porto gerou uma expectativa com este negócio que não foi cumprida, sobretudo se se considerar outros negócios, que colocaram o clube presidido por Pinto da Costa na crista da onda, em matéria de ‘encaixes’ com transferências.
Grande negócio foi, por exemplo, a venda ao Chelsea, há 8 anos, do lateral direito Paulo Ferreira, por 20M€. Ou de Ricardo Carvalho, ao mesmo Chelsea, em 2007, por 30M€. Ou ainda de Bosingwa por 20,5€, novamente ao clube londrino, também em 2007 ou os 30M€ de Pepe ao Real Madrid, nesse ano mágico de 2007, que atirou, definitivamente, o empresário Jorge Mendes para a dimensão máxima, no âmbito do ‘negócio-futebol’.

O FC Porto-campeão-da-Europa-em-2004 marcou uma nova era em termos da expansão da ‘marca Portugal’ no futebol europeu (com José Mourinho, Jorge Mendes e os jogadores que deram corpo ao sucesso do clube português na esfera internacional, anteriormente protagonista de outros êxitos, na crista da onda) e esse ano correspondeu, também, ao começo da afirmação de Cristiano Ronaldo como ‘jogador de elite’, o que acabaria por criar novos impactos na indústria do futebol. Temos, pois, um ‘eixo-Portugal’ na lógica do mercado futebolístico.
Há que contar, obviamente, com a crise económica global, com os excessos cometidos no passado e com a ameaça do ‘fair play financeiro’, que obrigaram as sociedades anónimas a mais cautelas no momento da efectivação das compras. Basta olhar quem fez mexer o mercado nos últimos tempos: o dinheiro árabe [PSG] ou o dinheiro russo da exploração de gás natural; há excepção mas ainda e sempre o dinheiro dos magnatas e não o dinheiro gerado pelas receitas do futebol propriamente ditas.

O dinheiro dos direitos televisivos, que é muito e o dinheiro resultante da venda de bilhetes e lugares anuais, mais publicidade e merchandising, não chega para tudo. Essa é uma questão que os responsáveis do futebol, mais tarde ou mais cedo, vão ter de equacionar, porque já há demasiadas variáveis a criar condições de ausência de equidade competitiva, porque não é justo nem saudável nem correcto colocar equipas de tostões a competir com equipas de milhões...
É público que o FC Porto conseguiu encaixar cerca de 450 milhões de euros, com as suas melhores 20 transferências (para além disso, só o FC Porto conseguiria encaixar cerca de 10 milhões de euros, em 2003 (!), pela venda de Postiga ao Tottenham!). Isso contribuiu, e muito justamente, para afectar positivamente à imagem do clube do Dragão uma aura de intocável capacidade de negociação. Agora que os contornos da transferência de Hulk estão a ser discutidos na praça pública (o que vai fazer a CMVM perante declarações não coincidentes produzidas pelas partes interessadas?!...) e sobretudo perante a inevitável decepção em torno dos números, muito distantes dos 100 milhões, talvez estejamos perante a queda de um mito: com efeito, o FC Porto, ao longo dos tempos, vendeu muito e bem.

A verdade é que, não obstante essas vendas e o produto das receitas de qualificações sucessivas para a Champions, o passivo anda na ordem dos 200 milhões de euros. Nestas condições, podemos falar em boa gestão? Afinal a ‘boa gestão’, que vem sendo dada como um dado adquirido na opinião publicada, não será apenas um ‘módulo de propaganda’ e dar como certo algo que não está plasmado nas contas? Não teria o FC Porto a obrigação, num quadro de encaixes tão significativos, e com esta capacidade de realizar transferências de indiscutível impacto financeiro, de apresentar contas equilibradas? Com tantas receitas, não estará o FC Porto a gastar mais do que pode? Sem oposição externa e interna, este é um assunto condenado a não dar discussão.
(Rui Santos, in Relvado)

O que vai fazer a CMVM? NADA!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

ARQUIVO DO BLOG

Prémio Relíquia da Internet

Prémio Relíquia da Internet

Presente do grande CORAÇÃO ENCARNADO

Presente do grande CORAÇÃO ENCARNADO

Adaptado por Blogger Benfiquista

Blog do Manuel © 2008. Template by Dicas Blogger.

TOPO