O central
Ezequiel Garay tem sido um dos esteios da defesa do Benfica e a principal referência, especialmente durante os dois meses em que Luisão esteve castigado.
«Em 17 jogos oficiais realizados esta temporada, o Benfica sofreu
apenas 11 golos, sendo que no campeonato nacional a baliza das águias já
não é violada há 446 minutos. Uma marca muito interessante de uma
equipa, que ao contrário de anos anteriores, se tem destacado mais pela
coesão defensiva que apresenta do que pelo poder ofensivo com que
subjuga os adversários.
Aliás, fazendo uma ronda pelos
principais campeonatos europeus e pelos respetivos líderes percebe-se
facilmente que as águias são uma das defesas menos batidas, embora
também sejam o conjunto que tem menos jogos disputados na principal
prova interna. O Barcelona leva 15 golos sofridos, o Manchester United
18 e o PSG 10, isto só para citar alguns exemplos. O registo dos
lisboetas ganha ainda mais importância se tivermos em linha de conta que
o comandante do sector mais recuado, Luisão, esteve afastado das opções
de Jesus durante dois meses devido a castigo disciplinar.
Na
ausência do capitão, a defesa foi liderada por Ezequiel Garay, um dos
jogadores que está a realizar uma temporada ao mais alto nível, dando de
resto continuidade à boa forma que já tinha patenteado na época
passada. O argentino conseguiu relançar por completo a carreira na Luz e
está a confirmar todo o seu potencial, sendo, nesta altura, um dos
centrais mais fiáveis do futebol europeu. Só mesmo o Real Madrid, em
mais uma medida desastrosa, conseguiu deixar sair um jogador, que nesta
altura seria titular de caras no emblema da capital do pais vizinho,
podendo assim Sergio Ramos jogar na direita no lugar de Arbeloa.
Ezequiel
Garay é um daqueles centrais como há poucos atualmente no Velho
Continente: é fortíssimo no posicionamento defensivo, muito difícil de
bater no jogo aéreo, sagaz nos duelos individuais e muito assertivo nas
decisões que toma. Sabe jogar feio quando é necessário, limpando o
perigo por completo mas tem, igualmente, uma classe superior na hora de
sair a jogar com a bola controlada. Aliás, Garay possui uma grande
qualidade técnica de passe, a curta e, principalmente a longa distância.
Não são raras as vezes que o argentino corta um lance de perigo e, de
imediato, inicia o processo ofensivo da equipa colocando a bola jogável
nos companheiros.
Em suma, um defesa completo, que é titular
absoluto na seleção argentina e que poderá a breve trecho representar um
grande encaixe financeiro para o Benfica, porque não acredito que os
grandes europeus estejam desatentos. Certo é que o internacional
alviceleste vai continuar a evoluir ainda mais e com isso ganha o
Benfica, até porque agora Jesus já tem a sua dupla predileta de volta.»
(Miguel Belo, Record)