Época 2015/16

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Assembleia muito importante

A Assembleia-Geral da Liga Portuguesa de Futebol Profissional que está a decorrer hoje é, ou pode ser, muito importante para o futuro do futebol português. Nada será como dantes!
Discute-se o modelo competitivo dos campeonatos nacionais da 1ª e da 2ª Liga que irá vigorar a partir da época 2014/15 porque irá entrar o Boavista no principal campeonato.
Será aprovado o modelo actual com o alargamento de 16 para 18 clubes, ou a proposta meio complicada de campeonatos de inverno e de verão, onde nem todos jogarão contra todos?

Resultado da Assembleia de hoje:
A Liga aprovou esta quinta-feira, em Assembleia-Geral, o aumento do número de equipas para 18 na edição 2014/15 do principal campeonato português.

Fruto da reintegração do Boavista, a competição passará a ter mais duas formações em relação ao que sucede atualmente. A prova será, assim, disputada a duas voltas com 34 jornadas.

A dúvida, neste momento, passa por saber de que forma se irá processar esse alargamento: se aumentando o número de formações que descem do primeiro para o segundo escalão; ou aumentando o total de clubes que ascenderão da 2.ª Liga.

Na mesma AG, foi chumbada a proposta de alteração do modelo competitivo por larga maioria, que previa mudanças de fundo na estrutura atual.

A força deles

Se alguém tivesse dúvidas de quem manda nas estruturas do futebol português, elas ficam desfeitas com esta medida!
E o que farão os clubes que encabeçavam o movimento?
Nada, tenho a certeza!
Gostava de ouvir o Fiúza agora.

O alargamento da discórdia

O alargamento da Liga para 18 clubes é um erro crasso para o futebol português. E eu concordo!
«O alargamento da Liga portuguesa é um crime contra o futebol. E também contra o país. Mais uma vez os chamados clubes profissionais avançam para o abismo, ignorando a situação catastrófica da economia, a falta de recursos e a necessidade de regulação e estratégia. Quando todos os portugueses encolhem, procurando sobreviver, o futebol alarga, com perigo de rebentar – se esta decisão for homologada nas instâncias superiores.
Clubes sem público, equipas sem orçamento, competição sem impacto – eis a sequência estrutural da atividade futebolística em Portugal, recomendando, pelo contrário, mais concentração, mais pragmatismo financeiro e melhor adequação mediática. O espetro futebolístico nacional, o tamanho do país e a influência da grave crise económica e social recomendariam uma redução da Liga para 10, no máximo 12 clubes, respeitadores das boas práticas de gestão e de limitações quantitativas e qualitativas ao recurso a jogadores estrangeiros.
Com esta viciação descarada das regras do campeonato em curso, protegendo-se os piores ao desfecho da despromoção, os clubes voltam a glorificar essa incontornável tendência para nivelar por baixo. Fazer com que as piores equipas do ano não desçam de divisão é um atentado contra a moral desportiva, mais um passo atrás na formação das novas gerações de adeptos, cada vez mais convencidos de que só a vitória interessa, a qualquer preço.
A redução para 16, em 2006, decidida no Conselho Nacional de Desporto e aprovada pela Federação Portuguesa de Futebol, apesar de não acompanhada pela prometida regulação da utilização de jogadores estrangeiros nem pelo controlo financeiro, ajudou nas últimas seis temporadas a uma subida relativa dos índices competitivos internos, entre os clubes realmente estruturados, com mais equipas envolvidas na discussão dos primeiros lugares.
O atual ranking nas provas da UEFA, à beira de passar a ter três equipas na Liga dos Campeões, é uma das consequências positivas da redução do campeonato, ao deixar mais tempo aos clubes principais para prepararem as suas participações internacionais. Portugal nunca teve tantas equipas envolvidas nas provas europeias no segundo semestre da época como nos últimos quatro anos.
O alargamento não vai estancar a diáspora do jogador português, que se viu forçado a procurar conforto noutras zonas muitos anos antes de o Governo ordenar a emigração em massa aos nossos jovens. Não vai diminuir a atividade do presidente do Sindicato para minimizar os efeitos dramáticos do abuso sistemático do não pagamento de salários no tempo devido. Não vai aumentar o bolo de receitas publicitárias e de direitos de imagem, nem diminuir a terrível invasão cultural do futebol espanhol e inglês, através de centenas de horas de televisão, nos hábitos do português comum.
O alargamento, de facto, é só mais um sinal do regresso da malta dos xitos aos bons tempos do velho “Sistema”, que se mostra cada vez mais pujante e completamente restabelecido do susto das ameaças da Justiça.
(João Q. Manha, in Record)
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