Época 2015/16

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Previsões!

É difícil de acreditar, eu sei. Mas ainda não é este ano que prevejo a vitória do FC Porto ou do Sporting no campeonato, por diferentes motivos. Começando pelo FC Porto, não me parece racional defender que só não se venceu o último campeonato devido a interferências exteriores, e logo a seguir despedir o treinador que idealizou performances que por si só chegariam para atingir a glória. Por isso é que André Villas- Boas – só mais um dos vários desmourinhados que inundaram o mercado de treinadores portugueses nos últimos tempos – não devia ter feito referências à época passada na conferência de imprensa que se seguiu ao jogo da Supertaça. Das duas, uma: ou o FC Porto ganhou ao Benfica no último fim-de-semana porque já na época passada era superior, ou foi porque o novo treinador para esta temporada implementou métodos de trabalho tão sofisticados que em poucas semanas de treino superou a qualidade dos adversários. Em princípio, não se pode ter tudo. Que o diga Pinto da Costa, que antes de se contentar com a contratação de Villas-Boas convidou Jorge Jesus e Rui Faria.
Em relação ao Sporting, depois do caso Moutinho, pode finalmente dizer-se que o clube conseguiu implementar a tão desejada “gestão à FC Porto”, no sentido em que a atual política de gestão de José Eduardo Bettencourt também tem como objetivo fortalecer o plantel portista. Mas o que me choca mais não é o FC Porto ir a Alvalade roubar o treinador com quem tinham um pré-contrato, ou o capitão de equipa. O que choca mais é que os sportinguistas dão a outra face. Uma atitude que curiosamente os seus sócios mais distintos não tomam quando alguém lhes dá um beijo num dos lados da cara.
(Miguel Góis, in Record)


O peixe morre pela boca

Este ditado, bem antigo, mantém-se bem actual.
Há certas pessoas que se julgam iluminadas que não páram para pensar e dizem o que lhes vem à cabeça. E o pior é que o dizem com convicção como se tivessem a certeza do que dizem.
Com algumas pessoas isso passa completamente despercebidos, já com outras ... (leiam abaixo)


Desde que Pinto da Costa fez aquele discurso inflamado em que dizia que o FC Porto ia continuar "a jogar e a vencer contra tudo e contra todos", a sua equipa jogou três partidas: empatou 0-0 com a Académica, 1-1 com o Paços de Ferreira, e 2-2 com o Belenenses. Não se compreende. Eu, se fosse oriundo de Buenos Aires, como acontece com 75% do plantel do FC Porto, ficaria muito acicatado e passaria a correr o dobro, se ouvisse um aceso discurso contra o centralismo de Lisboa. Ou até mesmo se fosse de Almada, como é o caso do Varela. Ainda assim, compreende-se a opção retórica do presidente do FC Porto. Dizer que o seu clube ia "jogar e empatar contra tudo e contra todos" não teria, muito provavelmente, o mesmo impacto.
Em contrapartida, já não podemos dizer que o discurso de Pinto da Costa não tenha surtido efeito junto da arbitragem. Veja-se, a título de exemplo, a quantidade absurda de penáltis de que o FC Porto beneficiou ontem, no Restelo. Ou, em alternativa, atente-se ao que um adversário da equipa do Benfica, hoje em dia, tem que fazer para ser expulso por jogar a bola com a mão: jogar a bola com a mão. Nas Antas, os árbitros não são tão quadradões; perguntam-se: "Onde é que acaba a mão e começa o nariz?", ou "Quando a mão marca um tento de belo efeito, deve-se anulá-lo?"
Como as coisas estão, até já nem naquelas linhas amarelas virtuais, que servem para avaliar se é fora-de-jogo ou não, podemos confiar. Também elas devem ser permeáveis aos discursos do presidente do FC Porto. Por exemplo, aquela que vimos no golo anulado de Falcão contra o Paços de Ferreira não estava minimamente paralela à grande área pacense. É certo que tenho consciência de que o campo estava inclinado, mas ainda assim não me parece haver justificação para a linha virtual estar tão torta.
(MIGUEL GÓIS, in Record)

"Ricas prendas" me saíram estes dois

No futebol português continua-se a falar muito de arbitragens e pouco de outras coisas mais importantes, que no entanto, não são para aqui chamadas agora.
Pinto da Costa com a sua pose de vítima habitual, solicitou esta semana ao Governo a abertura dum "apito encarnado", assim mesmo, abertura dum apito (a língua portuguesa não é fácil e nem todos a dominam, infelizmente). Depois vieram as declarações do técnico adjunto João Pinto sobre a nomeação de João Ferreira para o Académica-Porto da Taça da Liga e por aí fora. A propósito, sabem porque foi João Pinto (eu já nem me lembrava dele, tão calado que andava) a falar para a comunicação, porque o Prof. Jesualdo está em blackout por solidariedade com a equipa, quando lhe convém.
Blackout sui-generis este!
Bom, voltando ao histerismo de Pinto da Costa perante as arbitragens do Benfica, o "Gato" Miguel Góis brindou-nos com mais uma bela crónica esta semana.
Quem tiver paciência pode lê-la aqui, a seguir:

RICAS PRENDAS
Os meus pais sempre me disseram: "Não aceites doces de estranhos." Por isso, aos 11 anos, quando um desconhecido com mau aspeto me ofereceu um bolo para entrar no seu carro, eu entrei logo, mas recusei educadamente a bola de Berlim. Em contrapartida, hoje em dia, compreendo melhor o significado da frase. Se não, vejamos.
Uma das tendências deste outono-inverno é dizer-se que o Benfica anda a ser beneficiado pelas arbitragens. Mas, se nos tentarmos recordar de quais as partidas em que isso objetivamente aconteceu, quais são os jogos que vêm à memória? Em rigor, são dois: o Sporting-Benfica no Estádio do Algarve, e o mais recente Benfica-Nacional. Dois jogos da Taça da Liga, portanto. É muito provável que tenha sido para isto que a Taça Carlsberg foi criada: para que o Benfica esgote o plafond de boas arbitragens nessa competição, e não no campeonato.
Mas há outra coincidência curiosa - o "pénalti" de Yebda sobre Lisandro foi assinalado a 8 de fevereiro de 2009; o "pénalti" de Pedro Silva no Algarve a 21 de março de 2009. Por sua vez, a mão de Rodríguez dentro da área do FC Porto não foi assinalada na Luz a 20 de dezembro de 2009; e a expulsão, no Benfica-Nacional, foi perdoada a Luisão a 3 de janeiro de 2010. Ou seja, no meio da trafulhice que é o futebol português, é reconfortante saber que, dias depois de sermos espoliados frente ao nosso principal rival na competição mais importante, seremos devidamente compensados num jogo a feijões.
Sejamos francos: a Taça da Liga é a Liga Sagres dos ciganos. Olhamos, por exemplo, para a equipa que o Benfica apresentou ontem em Guimarães - sem Quim, Javi García, Di María, Saviola e Cardozo - e aquilo não é bem o Benfica. Se houvesse rigor, a partida de ontem teria sido anunciada como o confronto entre o Venfica e o Guimarões.
(Por: Miguel Góis, in Record)

Ódio ao futebol

Passados muitos anos, o Sporting compreendeu por fim o que, na sua essência, faz um clube de futebol: compra jogadores.
Corre o risco de se descaracterizar? Corre, pois. E é uma pena.
Estava curioso para saber onde ia parar um clube de futebol cuja estratégia não passava necessariamente por se ocupar do futebol.
Era um clube de futebol, sim, mas dirigido por praticantes de ténis e de golfe, que se recusavam a participar no folclore das contratações, da promessa de títulos, e da denúncia de atos de corrupção desportiva. Em contrapartida, o enfoque dado aos aspetos financeiros era tão grande que ainda hoje há muitos sportinguistas que não percebem como é que o Sporting, depois de tanta conversa, não conseguiu contratar aquele avançado escocês, o Project Finance.
Até há bem pouco tempo, o Sporting era como aqueles restaurantes que têm uma fachada apelativa, uma decoração glamorosa, um serviço irrepreensível e um ambiente requintado; só a comida é que deixa muito a desejar. Mas o resto, à volta, é espetacular (tirando o empregado de mesa que ganha 450 euros por mês, mas que nos olha dos pés à cabeça como se ele fosse o herdeiro do Américo Amorim).
Nunca passou, por exemplo, pela cabeça de José Eduardo Bettencourt antes de se candidatar que a equipa de futebol fosse medíocre. Não, o problema não era esse - o antigo presidente é que não tocava maracas ao som do hino do clube. E qualquer sócio que se preze, quando o seu presidente não meneia as ancas ao som do hino, nem sequer equaciona a hipótese de ir ao estádio ver um jogo da sua equipa.

(Autor: MIGUEL GÓIS)

As agressões

Infelizmente no futebol português tudo serve para inventar notícias.
Bastou um suposto adepto benfiquista ter dirigido palavras exaltadas supostamente dirigidas a Pinto da Costa à saída do Hotel onde o Porto esteve hospedado para o Estádio da Luz, para logo "inventarem" uma tentativa de agressão. Tentativa que não houve porque a polícia não prendeu ninguém.
Esta notícia não é nova mas hoje saíu a crónica no Record de Miguel Góis que pela ironia não resisti a publicá-la.

Foi um pequeno episódio, bem sei. Mas durante algumas horas pareceu mesmo que ia ser um dos acontecimentos desportivos de 2009. Refiro-me à suposta agressão a Pinto da Costa por um benfiquista, na altura em que o dirigente saía do hotel e se dirigia, ainda todo contente com o seu Falcão e o seu Rodríguez, para a Luz. Ao que parece, houve repórteres televisivos a anunciar aos gritos que o seu canal possuía imagens da agressão e que, como profundos conhecedores do inconsciente coletivo benfiquista, as iriam transmitir em horário nobre. É claro que, quando vi as imagens no ar, não só não havia agressão nenhuma, como até tenho dúvidas que houvesse um benfiquista.

Diga-se que não é dramático. Não seria, afinal, a primeira vez que se considera que há agressão quando um benfiquista mal toca num portista - a história dos FC Porto-Benfica está repleta de episódios destes. Mas a questão fulcral consiste em especular sobre a preferência clubística do agressor. Até há pouco tempo estava convencido de que se tratava de uma encenação protagonizada por um adepto portista. Mas na semana passada assisti, horrorizado, pela televisão, às imagens do outro Papa, o Bento XVI (ou, como é conhecido junto de alguns juízes portugueses, "O Menos Influente"), a sofrer, também ele, uma tentativa de agressão por parte de uma senhora que envergava uma camisola... encarnada. Coincidência? Creio que não.
A ironia - não a de Pinto da Costa - é que no fim dessa mesma noite havia imagens de agressões reais. E aqui, sim, há certezas: não foram cometidas por benfiquistas - por muito que o Hulk tenha sido fundamental na última vitória do Benfica.
(Miguel Góis, in Record)
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